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Evolução urbana de São Jorge dos Ilhéus

em: 05/01/2006
por: André Rosa

          Buscamos apresentar um quadro das transformações nas relações sociais, econômicas políticas na cidade de São Jorge dos Ilhéus, dos meados do século XIX até as primeiras décadas do século XX, contexto histórico da consolidação da lavoura do cacau como principal sustentáculo econômico do estado. Dessas mudanças surgiu uma determinada imagem da nova burguesia sul baiana, formada por lavradores e comerciantes enriquecidos pelo acúmulo de capital gerado pela produção do cacau. Essa nova burguesia, ao dominar o poder político em Ilhéus, fez com que suas ambições e gostos aparecessem como manifestações comuns a toda a sociedade.

         As práticas e mecanismos de poder se expressam nas imagens e nos símbolos construídos. As construções urbanas podem ser consideradas formas de representação onde é possível enxergar a tentativa de confirmação e perpetuação da condição social de um grupo. A elaboração de uma imagem, que influiu na própria concepção arquitetônica e urbanística regional, foi parte do processo de legitimação do poder. É através da construção da memória que os grupos sociais definem suas identidades, delimitam seu território e organizam seu passado.

          O objetivo é analisar evolução urbana de São Jorge dos Ilhéus, destacando as diferentes transformações sociais e arquitetônicas, interligadas entre si, com ênfase no fenômeno de modernização da cidade, ocorrido entre o final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Através dos processos de construção das condições materiais de vida e dos modos de viver, expressos em valores e comportamentos, é possível perceber a trajetória histórica de Ilhéus, que se traduz em profundas mudanças nas relações entre grupos sociais e no uso dos espaços. Busca-se refletir sobre a experiência social cotidiana do espaço público, considerando-o como lugar de práticas culturais conflitantes.

          A imagem da região cacaueira como uma terra rica e progressista teve em Ilhéus seu principal referencial. Esta cidade-símbolo do sul baiano sofreu as mais diversas intervenções por parte do poder público municipal e foi usada como modelo dos modernos padrões de civilização. Tais intervenções substituíram a sua fisionomia colonial e elementos estéticos considerados antiquados. A dimensão simbólica dessas intervenções nos possibilita discutir como o processo civilizatório se desenvolveu e tomou corpo na cidade sede do principal município produtor de cacau da Bahia.

          O litoral sul baiano possui alguns dos mais antigos núcleos urbanos erguidos pelos portugueses no Brasil. No que se refere à questão urbanística, as suas cidades preservaram todas as tipologias da arquitetura urbana colonial.

          Desta forma, estudar a evolução urbana da cidade significa lidar com o processo de constituição da sua memória e com os diferentes agentes sociais que nele atuaram. A imagem da região cacaueira como uma terra rica e progressista teve em Ilhéus seu principal referencial. Esta cidade-símbolo do sul baiano sofreu as mais diversas intervenções por parte do poder público municipal e foi usada como modelo dos modernos padrões de civilização. Tais intervenções substituíram a sua fisionomia colonial e elementos estéticos considerados antiquados. A dimensão simbólica dessas intervenções nos possibilita discutir como o processo civilizatório se desenvolveu e tomou corpo na cidade sede do principal município produtor de cacau da Bahia.

          Ao Analisar de modo geral as intervenções urbanistas feitas em algumas cidades brasileiras no início do Século XX veremos essa realidade presente, as velhas casas, igrejas muitas vezes de estilo barroco sendo demolidas e dando espaço para um novo estilo o Neoclássico que estivesse de consonância com o modelo europeu.

          Não existem muitas informações conhecidas sobre o aspecto inicial da vila de São Jorge, quando ainda estava localizada no alto de São Sebastião. Gândavo afirma que era a vila ?mui formosa, e de muitos vizinhos, a qual está em cima de uma ladeira à vista do mar, situada ao longo de hum rio onde entram navios.? Dentro de seus limites, algumas poucas ruas abertas nos seus trechos urbanizáveis, onde as maiores construções eram a casa dos jesuítas e a primitiva matriz de São Jorge. O cemitério estava situado ao sul da vila, na área da atual rua Nossa Senhora de Lourdes, como indicam diversos objetos encontrados pelos antigos moradores, que reurbanizaram o local no início do século XX, entre os quais uma lápide de arenito datada de 1555, um dos mais antigos registros funerários do Brasil, e inúmeras ossadas humanas.


          No ano de 1556 foi criada a paróquia da Invenção da Santa Cruz da Vila de São Jorge dos Ilhéus, controlada pelos padres jesuítas. O conjunto arquitetônico dessa Ordem, formado pela casa e sua igreja, estava situado no topo da elevação. A inauguração do templo, em 1565, foi celebrada ?com a pompa adequada aos recursos da terra.? Possuía três altares de cedro, cancela de conduru, colunelos torneados, coro de pedra e piso em pedra lavada. No começo do século XX, ainda eram visíveis as ruínas da primitiva Matriz de São Jorge, alicerces de casas e restos de calçadas de um subterrâneo, testemunhos seculares da ocupação humana no local. Com o gradual abandono do morro de São Sebastião pela população da vila, a matriz foi transferida para o final de uma das ruas que se abriam aproveitando as antigas trilhas indígenas, na atual Antonio Lavigne de Lemos (figura 1).

          Edificada na chapada do morro de São Sebastião, a casa dos jesuítas, consagrada a Nossa Senhora da Assunção, que já era padroeira de Camamu, possuía quatro aposentos ou celas para os religiosos bem acomodados em um sobrado, uma igreja e oficinas. Para a abertura ou ampliação da área em que foi construída a residência dos padres da Companhia de Jesus, demoliu-se a antiga cadeia pública. A vila possuía, então, 150 fogos e três engenhos produziam a sua riqueza. Os habitantes viviam da lavoura, cuja produção era escoada em pequenos barcos, principalmente para Salvador. A população era estimada em pouco mais de mil portugueses.


          Ao final da rua de São Bento, antigo caminho indígena que partia do morro de São Sebastião em direção à mata, estava erguida a capela de Nossa Senhora das Neves, santa titular da vila. Esta capela foi transferida para um alto próximo, na década de 1560, com a denominação de Nossa Senhora da Vitória, sendo reedificada no início do século XVIII(figura 2). Sua fundação está ligada ao início da luta entre os colonos e os aimorés pela posse da terra. O sucesso de algumas entradas contra os aimorés foi atribuída pelos moradores à intervenção da santa padroeira. Por estar a capela danificada, os habitantes da vila deram princípio a uma outra. Mulheres e meninas carregavam à cabeça as pedras para o templo em procissão, orando pela vitória dos seus pais e maridos. Como reconhecimento, acabada a igreja, colocaram nela a imagem da Senhora com o título da Vitória, trocando por este o das Neves.

          Na década de 1880, a capela de feições barrocas incendiou-se, queimando-se inclusive a imagem da santa que, segundo a tradição, teria vindo de Portugal havia mais de dois séculos. A atual imagem foi feita em Salvador pelo escultor Peçanha, em sua oficina na ladeira do Taboão. A igreja foi reconstruída pelo coronel Domingos Fernandes da Silva, no início do século XX, em estilo neo-gótico, bem ao gosto da época. As suas colunas e os seus capitéis eram de ?fino douramento,? sendo os castiçais, sacrários, descansos de missais lavrados em ouro e prata. O teto e as paredes possuíam pinturas sacras e foi erguido um altar em cada lado da capela. A sua fachada foi bastante descaracterizada com essa intervenção. Em lugar do barroco foram-lhe emprestadas linhas neo-góticas e adornos rococós, parcialmente removidos em uma reforma posterior.




Comentários:

Muito bom esse site, mas falta contar a história de outros
patrimônios históricos que muitas pessoas esquecem de contar, como a
história e construções de praças, avenidas, ruas e outros locais de
Ilhéus.

  Angélica
  gelzinhaios@hotmail.com



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